Em Copas do Mundo o mais importante é a Alma.

terça-feira, junho 20, 2006

A primeira fase no fim

Agora que acabaram as duas primeiras rodadas da Copa podemos fazer uma análise de que está acontecendo e tentar, na medida do possível e desconsiderando o imponderável, prever o que está para acontecer.

Esta está sendo uma Copa um tanto quanto previsível, tirando um ou outro resultado inusitado, os restantes das partidas estão seguindo o prognóstico da crítica, mesmo sendo eles absurdos.

Comecemos pelos anfitriões, com todo respeito à colônia germânica e sua rica cultura, e embora o time possa ganhar confiança durante a competição, seu futebol não agrada e já não traz consigo a velha eficiência alemã. A vitória por 1 X 0 sobre a complicada seleção polaca é prova disso, o sofrimento dos alemães vai ser longo durante todos os jogos, muitas vezes que os noventa minutos. Mas a autocrítica dos jogadores em saberem que não são espetaculares possa resultar em uma perseverança capaz de levar o time a sempre a acreditar na vitória e nunca desistir. Tradição e retrospecto não lhe faltam, basta que lembremos de seus dois primeiros títulos em 1954 e 74. É a única forma que vejo o sucesso alemão no mundial.


O jogo da comprovação

Na mesma proporção em que os jogadores alemães parecem acreditar na sua seleção, o Equador vê seu futebol em constante evolução. Jogou como quis contra a Costa Rica, repetindo a boa atuação da estréia. Como já falei esse time é o fiel herdeiro do belo futebol dos colombianos na década passada. Mas esperamos que essa herança limite-se às quatro linhas, pois o destino daquela seleção todos sabemos. Espero um grande jogo entre Equador e Alemanha, na realidade esse será o jogo da comprovação para ambas as equipes, os anfitriões tentarão mostrar que ainda têm a antiga força e os sul-americanos tentarão provar que também podem ser grandes.

Favoritos? Que heresia!

Em Copas do Mundo parece prevalecer a mesma máxima que existe nas guerras: a que a verdade é a primeira a morrer (no caso do futebol trata-se da eliminação da verdade). A Inglaterra já dominou o mundo, já teve Shakespeare, o Led Zeppelin e criou as regras desse futebol moderno que temos. Hoje, como um cartório de notas, vive de nomes. Beckham, Gerrard, Lampard, Ashley Cole, Ferdinand e tantos outros que por brincadeira de mau gosto ou por pura desinformação são colocados na vanguarda do futebol mundial. Mentira!

O time da Rainha não é um dos favoritos a ganhar esta taça. Seu futebol continua na mesma obviedade de antes, atualmente com mais holofotes é verdade, mas nada capaz de acrescentar aos sonhos de gente como nós, apaixonados pelo esporte.

Em duas partidas, English Team mostrou infinitas incapacidades e muitas dificuldades para mostrar seu burocrático jogo. Contra o Paraguai, que joga fechadinho e no contra-ataque, os ingleses mal conseguiram chegar próximo ao gol. Já no jogo contra seus ex-colonizados, Trinidad e Tobago, que por obviedades possuem o mesmo estilo viril de jogo, os ingleses conseguiram ganhar apenas nos minutos finais, com gols óbvios, é claro. Classificados já estão, mas não devem caminhar mais adiante (e o futebol implora por isso). Como é bonito rir com o futebol e como é triste rir do futebol, e é exatamente este segundo sentimento que me ocorre quando vejo o atacante Peter Crouch com a bola. É literalmente o maior desastre da Copa (com seus 1,98m), até mesmo porque seus concorrentes mais próximos (na altura), o italiano Luca Toni e o checo Jan Koller são tecnicamente muito superiores.

Apenas como constatação, a primeira jogada com tabela inglesa que vi na Copa, aconteceu aos 18 minutos do segundo tempo do jogo contra Trinidad e Tobago. Muito pouco para colocarmos entre os favoritos e menos ainda para acreditarmos que serão campeões. Vou deixar no ar uma aposta só para animar um pouco. Caso a Inglaterra seja campeã, eu paro de comentar sobre futebol até o final do ano. Afinal se este time ganhar, vai ficar comprovado que nada entendo das quatro linhas.

Já os vikings suecos tiveram uma vitória contra o Paraguai. O resultado poderia ter sido qualquer já que o jogo era o do desespero para ambos. Azar dos nossos vizinhos que tomaram um gol já no fim da partida e voltam mais cedo para casa. Simplesmente é o fim daquela geração maravilhosa de Chilavert, Gamarra, Arce e companhia. Mas vamos torcer por um bom recomeço. Aos suecos a possibilidade da classificação, mas para seguir mais adiante será necessário um pouco mais de eficiência de seus bons atacantes.


Nada como um belo tango

O fino da bola, esta é a sensação ao passarmos a analisar a Argentina. Que futebol! Bem jogado, bem treinado e com ambição clara ao título. Um esquema muito bem armado, um pseudo 4-4-2, que na realidade é um 3-5-2. O técnico Jose Pekerman soube explorar muito bem a capacidade ofensiva do ala Sorín e quando este avança ao ataque, os outros três defensores deslocam-se para o lado esquerdo formando uma forte linha de três zagueiros com, porque não, um líbero, Ayala. Burdisso que joga mais à direita da defesa não é um lateral, mas um zagueiro de área deslocado para o setor.

O resultado disso são rápidas jogadas de velocidade que são tramadas no meio campo. É ali que Riquelme rege a orquestra que não deixa o Tango desandar.

Magia é ver toques rápidos objetivos, concentrados e sem menosprezar o adversário. Saviola está jogando muito e se for mal na sua reserva tem o menino Messi, que será a grande sensação da Copa. O time mostrou até agora que é o que mais quer e que tem condições de levar o caneco. Não tem medo de bater, não tem medo de jogar. Isso que é seleção favorita, com craques e que deixam o futebol ser bem jogado. A todos que possam supor que o fantástico placar de 6 X 0 tenha ocorrido apenas porque Sérvia e Montenegro é um time fácil de ser batido, uma explanação. Nenhum jogo é fácil, torna-se fácil e para isso a capacidade dos vencedores é fator determinante. A Argentina jogou o verdadeiro futebol e por isso é a verdadeira favorita.

Time “Laranja”

Assim como a Inglaterra, que vive de um passado glorioso, temos a Holanda, ou pelo menos a crítica esportiva analisando seu futebol. Os senhores dos países baixos não são favorito ao caneco. De um time revolucionário da década de 70, intitulado “Laranja Mecânica”, sobra um tom abóbora desbotado, que não ofusca mais ninguém. Muito cuidado pois o último fenômeno parecido foi a transformação da “Celeste Olímpica” e “Azul Calcinha”.

Em plena era digital, a “mecânica” daquele time parece como se infectada por um vírus de computador. Seu futebol é agora previsível, com chutões e pouca movimentação. Foi talvez a maior injustiça sem tamanho a classificação antecipada da equipe contra a seleção de Costa do Marfim, que jogou melhor mais e foi injustiçada por uma infeliz arbitragem de Oscar Ruiz (um dos melhores do mundo), que deixou de assinalar dois pênaltis. Será que esta Copa está abdicando da alegria do futebol?

O complexo de inferioridade, o Z e o C?

Talvez a alegria não esteja sendo abdicada, e a primeira prova disso é a alegria dos angolanos diante do empate com o México e conseqüentemente sobrevida no Grupo D. Longe de ser um futebol de encher os olhos, mexicanos e angolanos fizeram um jogo de vontade. Mérito para a superação dos angolanos que não se sentiram enfraquecidos diante um favorito México. Demérito para os mexicanos que demonstraram um espírito de inferioridade diante da dificuldade, parecem não conhecer sua real força.

Uma pergunta curiosa que fica é a seguinte: por que os narradores da Globo insistem em chamar o brasileiro naturalizado mexicano Zinha, de “Cinha”? Isso mesmo com som de C ao invés de Z. Tudo bem, os mexicanos devem chamá-lo desta forma pois não existe o som de Z na língua espanhola, mas qual o motivo das narrações serem desta forma, sendo ele brasileiro, e quando saiu daqui com certeza o apelido era nada mais nada menos que Zinha com som Z? Isso me faz lembra do brasileiro naturalizado belga Oliveira, que absurdamente e talvez até estupidamente era chamado de “Oliverrá”. Mais uma boa dose de ignorância e desinformação ao povo brasileiro.

Mestre Felipão

E Felipão chegou lá de novo, embora nosso ilustre comentarista Walter Casagrande Júnior (Globo e Diário de S. Paulo), meu “xará” no Júnior, afirme que o técnico não conseguiu amenizar um suposto ego exagerado dos lusitanos, unindo-os em torno de um objetivo comum, Os portugueses confirmaram seu favoritismo no grupo.

Analisemos os curiosos esses comentários “achistas” na imprensa brasileiras, não são padarias mas vendem sonhos, e quando menos esperamos nos vendem a desilusão. Obviamente pode ter alguma verdade no comentário do Casão, porém é clara a forma leviana, sem critério e sem argumentos como foi concebido. E pior de tudo, no dia seguinte da banca de jornal às reuniões executivas o comentário é repetido inúmeras vezes.

Mas voltando às quatro linhas, o futebol dos portugueses mostra-se com muita garra, sem desistir nunca, qualidade creditada ao seu treinador que se não conseguiu unir o grupo, pelo menos conseguiu fazê-lo perseverante. Ganhou dessa forma contra o organizado Irã, e assim e com os craques que têm, uma hora o bom futebol florescerá. E parafraseando o amigo Mauro Beting,: “Time bom só se une para dar volta olímpica”.

Gana de vencer

E quando o futebol parecia não estar afim de surpreender mais ninguém eis que surge a seleção de Gana. Mesmo não sendo favorita e sem ter o fino toque de meio campo que os checos têm, os africanos aproveitaram-se de um erro do zagueiro Ujfalusi no primeiro minuto e da estafa do adversário já no segundo tempo para aplicar a maior zebra da Copa até agora.

Os checos não jogaram mal, mesmo estando em desvantagem desde o primeiro minuto de jogo. Tentaram, sempre com toques rápidos, os mesmo que envolveram os americanos, adentrar a área adversária, jogam sempre bonito, não menosprezam o bom toque em qualquer situação. Mas demonstraram uma apatia enorme após o pênalti marcado para Gana, naquele momento o time europeu ficou em desvantagem numérica e estava mais cansado, por ser uma equipe mais velha.

Mesmo assim esses fatores não justificam essa apatia e não tiram o brilho do ímpeto africano pela vitória que, de todas as maneiras, tentaram chegar ao gol e muitas vezes foram impedidos pelo grande goleiro Petr Cech. É provável que Gana não se classifique, pois o time europeu ainda possui um conjunto superior e não pode jogar 10 anos de planejamento pela janela, mas como é bom ver um time com vontade em vencer na Copa do Mundo, a inspiração parece não vir apenas do futebol, mas da necessidade de ver o seu povo representado para o mundo.

Vincere o moriere, ou melhor, Victory or Death

Um grande jogo. De lado, um grande, e de outro que ainda sonha em ser grande. Uma partida daquelas que se fazem lembradas por décadas. Assim foi o 1 X 1 entre italianos e americanos. Logo na execução dos hinos nacionais, percebi que seria um jogo diferente. Os americanos fizeram ecoar o seu Star-Spangled Banned por um terreno que pouco habitam, o futebol.

Em jogo, os americanos mostraram uma vontade incrível em vencer, mesmo estando com um jogador a menos (neste caso 9 contra 10 dos italianos). O Vincere o moriere, dos italianos na Copa de 1934, poderia muito bem ter uma versão Victory or Death, pois este jogo parecia ter um componente especial de vitória ou a morte.

Esta partida teve de tudo, gol contra, sangue, grandes defesas, reclamação, técnicos inconformados e uma grande arbitragem do argentino Jorge Larrionda, talvez não fosse o juiz o jogo figuraria entre uma das melhores partidas da Copa, mas como a mais tumultuadas.

Os italianos depararam com um time veloz, bem armado e se confundiram. Mesmo abrindo o placar, não mereciam a vantagem. No segundo tempo, com o placar já estando em empate, os italianos foram em busca da vitória e os americanos se defendiam e tirando fôlego (sabe Deus de onde) partiam em velocidade no contra-ataque.

Os italianos já jogaram a Copa 1934 inteira com a obrigação de ganhar, jogaram partidas de vida e morte contra o Chile em 1962 e contra a Alemanha Ocidental em 1970, mas novamente essa partida irá figurar entre as mais dramáticas disputadas pela Itália em todos os tempos. O ponto negativo foi a agressão de Daniele de Rossi em Brian Mc Bride. Mesmo com este pesar, a partida foi uma das mais bonitas da Copa. Quanta dramaticidade e que espetáculo das torcidas.

E um grupo, que depois da primeira rodada parecia estar finalizado, permanece indefinido, embora Itália e Republica Checa ainda sejam superiores aos seus adversários. E os americanos, assim como os ganeses salvaram o futebol de língua inglesa na Copa.

Gols? Cuidado!

A França eu considero que ainda não estreou na Copa. O selecionado teve dois jogos atípicos contra Suíça e Coréia do Sul, mas pode desenvolver um futebol muito superior nas próximas partidas. Não, o time francês não é ultrapassado, possui craques de verdade, como Henry e Zidane, algo que Alemanha e Inglaterra juntas não possuem. Mas a infeliz coincidência de não ter ficado tanto tempo ser ter feito gols na fase final Copa do Mundo, parece o único argumento da mídia creditar aos franceses um mau futebol. Parem de perseguição besta por causa de nosso insucesso na última Copa do século passado!

Os franceses têm muito futebol e são favoritos também. Como são importantes as estatísticas para essa mídia atual. Que usem as estatísticas, mas não de forma mal intencionada. Analisem os dados e tirem conclusões deles e não tentam justificar “achismos” a partir de dados estatísticos.

Só uma explicação. A França não havia feita seu último gol em Copas, antes do empate de 1 x 1 com a Coréia, em 1998. Afinal as eliminatórias já são a disputa pela Copa do Mundo. Muito cuidado com as palavras e com os franceses.

O segundo lugar do grupo está indefinido. O Togo já está fora, talvez injustamente pois foi prejudicado pelo juiz paraguaio Carlos Amarilla no jogo contra a Suíça, mas futebol é assim mesmo. Eu aposto que os coreanos devem ficar com a segunda vaga, seria um prêmio para seu futebol mais vibrante que o dos suíços, que aliás só estão bem na Copa por que o grupo é muito fácil.

A Fúria

Mais uma vez a mídia se esquece de um favorito, e pior credibiliza seleções erradas como favoritas. A Espanha veio para ganhar essa Copa e de forma bonita. Nos dois primeiros jogos mostraram um futebol que só fica devendo ao dos argentinos. Na estréia contra a Ucrânia, não tomou conhecimento de seu único concorrente do grupo e meteu uma sonora goleada no melhor estilo, sem deixar o adversário tomar conhecimento. Na segunda partida mostrou força e foi para uma bela virada contra a Tunísia.

O time Espanhol conta com ótimos e habilidosos jogadores o meio campo e dois bons atacantes. Só faço um pedido ao técnico Aragonés: ponha o Fábregas e o Raul neste time.
Curiosamente ele montou a defesa de forma parecida com a Argentina colocando um zagueiro na lateral.

Talvez o melhor para os espanhóis nesta Copa tenha sido o fato de cair no grupo H e jogar somente depois que todo mundo jogou. Os jogadores parecem mais tranqüilos, também pudera depois de ver tantos favoritos de mentira, não deve haver motivação maior a eles sabendo que tem um bom time e podem mostrar um bom futebol num grupo fraco.

O segundo do grupo será o time Ucraniano, que não é fraco só porque tomou de quatro na estréia. Contra a Arábia Saudita, percebi um Shevchenko tenso, e que somente se aliviou após fazer o gol. Nas oitavas de final deve pegar um time mais forte e o fator Shevchenko deverá aparecer. Bom para o futebol que não pode abrir mão deste tipo de craque.

Esperamos que a Copa possa melhorar um pouquinho e que o grande futebol apareça de vez, assim como o sol está aparecendo no calor alemão. Em breve analisarei a nossa burocrática Seleção. Um abraço.

2 Comments:

Anonymous Fábio said...

Bela análise, amigo.

Mas continuo cravando na Alemanha como campeã mundial. Mesmo tendo um time bem, mas bem limitado.

Achei a vitória sobre o Equador bem convincente. O Brasil, hoje, não meteria 3 a 0 nos equatorianos. Mas não mesmo!

O jogo mais duro deve ser contra a Argentina nas quartas-de-final. Mas é difícil segurar uma Alemanha embalada...

Essa Copa tá do jeitinho que eles gostam: em casa, com o time desacreditado, aos trancos e barrancos...É um perigo!

Abraço

6:43 PM

 
Blogger Ricardo Levy said...

Acredito que o Brasil consiga chegar a final (isso se conseguirmos passar por Portugal)
Na final discordo com o comentário do Fábio, acho que o Brasil se chegar, leva o título
Gostaria de convidar voces para entrarem no blog no qual escrevo

http://www.diletra-nacopa.blogspot.com/

Obrigado

5:22 PM

 

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